JESUS RESSUSCITA O FILHO DA VIÚVA - Lucas 7:11-16.
Jesus parou o cortejo fúnebre e ressuscitou o filho único
de uma viúva.
Personagens do milagre. Os personagens centrais no drama foram Jesus, a viúva, seu filho, e a multidão
que acompanhava o cortejo.
Jesus. Apesar de Lucas enfatizar o lado humano de Jesus, esse é
o único relato de milagre no qual Lucas menciona a compaixão de Jesus. Em
contraste, a compaixão de Cristo pelos sofridos é mencionada três vezes em Mateus
(14.14; 15.32; 20.34) e três vezes em Marcos (1.41; 6.34; 8.2). Ninguém nesse
relato pediu ou esperava o milagre que Jesus fez.
A viúva. Lucas indica que Jesus teve compaixão "dela"
(Lc 7.13). Enquanto Lucas descreve suas lágrimas, ele também apresenta duas
razoes especiais pela reação emotiva de Jesus. Primeiro, o morto era o único
filho dela. Segundo, a mulher era viúva. A situação de uma viúva nos tempos bíblicos é expressa
nesta citação do rabino Eliézer: "Um escravo ganha ao receber a liberdade
do seu senhor, mas, para uma mulher, é desvantagem, pois se torna
desqualificada para receber temurah e perde seu sustento" (Gittim
12:b). Uma esposa era vulnerável no mundo antigo. Enquanto seu marido vivia,
ele assumia a responsabilidade pelo seu sustento. Quando ele morria, precisava
sustentar-se sozinha. O problema era complicado neste caso porque, no judaísmo
do primeiro século, mulheres não podiam herdar propriedade dos seus maridos.
Propriedades familiares eram transferidas aos filhos e, em casos especiais, a
uma filha. Apesar de haver sistemas pelos quais maridos ricos podiam prover
sustento para suas esposas mesmo depois de mortos, a típica família galiléia
tinha poucos recursos. Então cabia ao filho mais velho cuidar da sua mãe,
segundo o mandamento "Honra teu pai e tua mãe" (Ex 20.12).
Mas a viúva de Naim era um personagem realmente trágico.
Perdera seu marido, e agora seu único filho, ficando desamparada. Não é de
admirar que jesus tivesse compaixão dela!
O filho morto. Quando Jesus ressuscitou o filho da viúva, ele o chamou de
"jovem" (v. 14). O termo sugere que ele não era casado nem tinha
filhos.
A multidão. A reação da multidão ao milagre de Jesus foi bem
diferente da que ocorreu na cura do homem paralítico (Lc 5.26). Naquela cura,
os líderes religiosos glorificaram a Deus, em vez de atribuir a cura a
Jesus. Nesta cura, a multidão glorificou a Deus porque "grande profeta se
levantou entre nós" (Lc 5.16).
Como
a história se desenrola. Jesus
"coincidentemente" chegou a Naim no momento em
que o cortejo fúnebre saía. Jesus teve compaixão da viúva, disse-lhe para não
chorar e colocou a mão no esquife para parar o cortejo. Então dirigiu-se ao
jovem, mandando-o levantar-se. Restaurado à vida, o jovem sentou-se, começou a
falar e foi devolvido por Jesus à mãe viúva. A multidão ficou maravilhada e
glorificou a Deus por novamente levantar um profeta em Israel.
"Jovem,
eu te mando: levanta-te!" (Lucas
7.14). Vários dos milagres de Jesus foram comparados aos de
Elias e Eliseu no oitavo século a.C. Como esses dois profetas, cada um dos
quais restaurou um defunto à vida, Jesus também ressuscitou mortos. Mas há uma
diferença significativa na descrição do processo. Elias e Eliseu oraram,
esperaram e até estenderam-se sobre os cadáveres antes que estes fossem
ressuscitados. Jesus não orou a Deus. Simplesmente ordenou, e o jovem reviveu.
Jesus tinha em si mesmo o poder de dar vida aos
mortos, pois era Deus. O paralelo entre Jesus e os antigos profetas não passou
despercebido às testemunhas. Sua exclamação alegre, "Grande profeta se
levantou entre nós", reflete sua associação imediata de Jesus com Elias e
Eliseu.
"Deus
visitou o seu povo" (7.16). A expressão é
idiomática, significando "Deus está agindo entre nós novamente!" Os
milagres que marcaram a intervenção de Deus em Israel no passado estavam agora
sendo realizados por Jesus. A história, certamente, chegara a um grande ponto
decisivo!
"Vendo-a,
o Senhor" (Lucas 7.13). Lucas relata
anteriormente conversas nas quais outras pessoas chamam Jesus de
"Senhor" (Lc $.8, 12; 7.6). Mas esta é a primeira vez em que Lucas
refere-se a Jesus como "o Senhor". Com esse milagre, Lucas esperava que
seus leitores reconhecessem Jesus como Senhor.
O
significado do milagre. O milagre em
Naim teve grande significância religiosa. Primeiro, revelou a compaixão de Jesus. Segundo,
estabeleceu a extensão ilimitada do poder de Jesus. Ele exerceu controle sobre
demônios (Lc 4.33-36, 41), doenças (Lc 5.12-15; 5.17-26), e agora até sobre a
morte (Lc 7.11-17). Terceiro, sua correspondência aos milagres
feitos por Elias e Eliseu marcou Jesus inconfundivelmente como profeta aos
olhos do povo. No entanto, talvez haja uma mensagem ainda mais
importante. Nesse milagre de vida restaurada, Jesus tomou a iniciativa. Ele
também viu a necessidade, teve compaixão, foi ao encontro do homem morto e restaurou
sua vida. Que descrição clara da nossa salvação! Não buscamos a Deus. Como
pecadores perdidos, éramos hostis a Deus e considerados seus inimigos por causa
das nossas obras pecaminosas (Cl 1.21). Mas Deus teve compaixão de nós, tomou a
iniciativa e enviou seu Filho à terra para que, com sua morte no Calvário,
Jesus viesse ao nosso encontro e nos tocasse. Com esta ação, Ele fez mais do
que restaurar vida física. O Cristo crucificado e ressurreto nos ofereceu
perdão e vida eterna. Jesus tomou a iniciativa, e tudo o que podemos fazer é
aceitar pela fé a dádiva maravilhosa da vida que só Ele pode dar.
